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gwedzackhov

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Data de inscrição : 21/09/2009
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MensagemAssunto: Eu indico...   Seg Set 28, 2009 11:04 am

Os Incompreendidos (1959), de Francois Truffaut.



Sinopse:

Numa classe, meninos de uns treze anos de idade fazem circular a foto de uma garota de folhinha bem na hora da prova. Quando chega a vez de Antoine Doinel, ele é apanhado pelo mestre e fica de castigo, atrás do quadro-negro. Impedido de sair para o recreio, Antoine rabisca sua queixa na parede e torna a ser castigado: vai voltar para casa levando uma série de verbos para conjugar e a promessa de se vingar de Mauricet, o colega que o delatou. Depois da aula, solidariza-se com seu melhor amigo, René, e vai para casa.

No apartamento acanhado, vazio, Antoine surrupia uns trocados escondidos, depois cumpre suas tarefas domésticas. Dá uma espiada no quarto dos pais, antes de sentar-se para conjugar os verbos. Pouco depois a mãe, Gilberte, chega em casa e fica brava porque ele se esqueceu de comprar a farinha que ela pedira. Antoine sai para comprar a farinha e volta com o pai, Julien, um homem afável, que acaba de adquirir um novo farol de neblina para seu carro. Gilberte exige o troco da compra, mas Antoine consegue um dinheirinho com o pai. Após o jantar, escuta Gilberte e Julien falando em mandá-lo para o acampamento, no verão. Depois, Julien convida a mulher para ir com ele na excursão do clube automobilístico do qual é sócio, no domingo seguinte, mas ela dá uma desculpa. Ele faz troça de seu "método de toque" em datilografia e ela revida bravíssima, dizendo que o marido está sempre fazendo piadas e que é um fracasso no emprego.

Preocupado, sem saber como vai enfrentar o mestre, já que não conseguiu terminar o dever de casa, Antoine sai para a escola, mas encontra René, que o convence a não ir à aula. Os garotos escondem a mala e tiram o dia para se divertir - vão ao cinema, ao fliperama, ao parque de diversões. Na volta para casa, pegam Gilberte beijando um outro homem. Chegam à conclusão de que ela não dirá nada a respeito de Antoine ter faltado à aula por causa da própria situação. Mas acabam sendo vistos pelo cê-dê-efe Mauricet, quando vão pegar as malas. René oferece seu bilhete justificando a falta para que Antoine copie, com a letra da mãe, mas, antes que consiga fazê-lo, o pai chega em casa.

Julien diz que Gilberte vai trabalhar até mais tarde e que, portanto, os dois estarão solteiros aquela noite. Fazem ovos juntos e Julien pergunta a Antoine como vai a escola. Mais tarde, na cama espremida no vestíbulo do apartamento, Antoine finge dormir quando percebe a mãe chegando. Escuta os pais discutindo porque ela ficou até tarde com o patrão, porque Antoine mentiu e também fica sabendo que não é filho de Julien.

De manhã, depois que Antoine sai para a escola, Mauricet vai até a casa dos Doinel para contar que o menino não fora à aula no dia anterior. René e Antoine trocam idéias sobre possíveis desculpas ao mestre e concluem que "quanto maior, melhor". Antoine diz então que a mãe morreu e o professor se compadece. Mas quando os pais dele aparecem na sala de aula, ele leva um tapa e é avisado de que será castigado à noite. Certo de que não poderá mais voltar para casa, Antoine planeja passar a noite na rua, mas René tem um lugar melhor: a gráfica do tio. Julien lê um bilhete de Antoine, dizendo que não voltará para casa, enquanto Gilberte se pergunta por que o filho escolheu a ela para matar, na desculpa dada à escola. Ela também reconhece que o menino a irrita.

Sozinho na rua, tarde da noite, Antoine passa em frente a enfeites de Natal, escapa por um triz de ser descoberto na gráfica e finalmente rouba uma garrafa de leite, que engole faminto. De manhã, Antoine volta à escola e é chamado à diretoria. A mãe o abraça e pergunta onde passou a noite. Em casa, depois de lhe dar um banho, Gilberte põe o menino em sua própria cama, para dormir um pouco, e tenta fazê-lo abrir-se com ela. Na verdade, o que a preocupa é o bilhete em que Antoine diz que explicaria tudo. Quando ele responde que se trata do próprio comportamento, ela sossega e faz um trato: se ele tirar uma boa nota em francês, ela lhe dará um dinheiro, mas ninguém dirá nada ao pai.

Quando o professor de ginástica sai para dar uma corrida com os meninos, eles vão desertando da fila até sobrarem apenas dois. Sozinho em casa, Antoine lê Balzac e põe um retrato do escritor na estante da parede. Na escola, o professor manda os alunos escreverem sobre um acontecimento importante na vida deles e Antoine acende uma vela no seu pequeno santuário a Balzac; durante o jantar, a família sente o cheiro de fumaça e descobre que a estante está pegando fogo. Gilberte defende Antoine e eles decidem ir todos juntos ao cinema. Divertem-se e voltam para casa felizes.

Entretanto, no dia seguinte, na escola, Antoine é acusado de plagiar Balzac na redação de francês e é mandado embora. René também é expulso. Antoine tem certeza de que será condenado a uma academia militar se voltar para casa. Reconhece que a Marinha não seria ruim de todo, porque sempre teve vontade de ver o mar. René o convida para ficar em sua casa. Antoine se espanta com o imenso e estranho apartamento, depois observa atônito, René roubar um dinheiro para os dois saírem. René janta sozinho com o pai, adianta o relógio, depois pega o que restou da comida, quando o pai sai, apressado. Antoine pega a comida e os dois vão ao cinema. Depois do filme, eles roubam uma foto do filme, surrupiam uns trocados de um banheiro e roubam um relógio.

No dia seguinte, juntos com um menino pequeno, vão a um espetáculo de marionetes. Enquanto as crianças menores se divertem, os dois garotos fazem planos de como arranjar o dinheiro que Antoine precisará para sobreviver escondido. Decidem roubar uma máquina de escrever do escritório de Julien e penhorá-la. Antoine entra no escritório e sai com a máquina sem maiores problemas, embora carregar o objeto pesado pelas ruas e no metrô não seja nada fácil. Finalmente, encontram um sujeito suspeito que diz que vai pôr a máquina no prego para eles, mas o sujeito some. Recuperam a máquina quando aparece um policial e concluem que não vão conseguir vendê-la. Com medo de que o pai descubra a autoria do furto, Antoine decide devolvê-la ao escritório, usando um chapéu para não ser reconhecido.

Mas o vigia noturno o pega devolvendo a máquina e chama Julien. O pai leva Antoine para a polícia e diz que ele e a mulher tentaram de tudo; desiste de Antoine. O menino é preso, fotografado, tiram suas impressões digitais e depois o trancafiam numa cela, junto com um homem. Depois de entrar num furgão de presos adultos, Antoine vê Paris ir sumindo aos poucos, pelas grades da janela. Gilberte conta a um juiz sobre a vida doméstica de Antoine e fica decidido que ele deve ir para um centro de observação durante um tempo. Nesse centro, Antoine é entrevistado por uma psicóloga e explica por que levou a máquina de escrever de volta e conta como roubou dinheiro da avó.

Quando chega o dia de visitas, Antoine fica animado ao ver René, mas não permitem que os dois se falem. A mãe lhe faz uma visita e censura o filho pela carta "pessoal" que o menino enviara ao pai. Ela lhe diz que Julien não está mais interessado nele. E prevê que Antoine vai acabar no reformatório. Durante um jogo de futebol, Antoine consegue escapar. Corre sem parar até chegar finalmente à praia. Entra no mar e depois se vira para a terra, com uma fisionomia vazia, perdida.

Críticas:

"Os Incompreendidos" é um excelente filme e um dos marcos da "nouvelle vague" francesa. Dirigido e produzido pelo grande cineasta François Truffaut, que também co-escreveu o roteiro, o filme conta o destino de um adolescente em período de crise. Em "Os Incompreendidos", o modelo paternal não existe. Na casa de Antoine, é a mãe que toma as decisões, ficando a autoridade paterna excluída. Na casa de René, a autoridade paterna também não existe. Os adultos parecem egoístas, indiferentes, violentos, fracos e incapazes de responderem às necessidades dos jovens. Em "Os Incompreendidos", reconhece-se Truffaut no personagem de Antoine, já que ele teve também uma infância difícil ao lado da mãe e do padrasto.

Com a magnífica direção de Truffaut e, fotografado em preto e branco, o filme conta ainda com a ótima atuação de Jean-Pierre Léaud, na época com apenas 15 anos de idade.
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